"Penso onde não sou, logo sou onde não penso."

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Água da minha sede.


"...Agora que começou
Não sei mais como termina
Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede..."

domingo, 10 de abril de 2011

Tabacaria.

    "Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim... (...)"

    (Alvaro de Campos)

    quarta-feira, 6 de abril de 2011

    In love ♥

    "I need to, I need to, I need to
    I need to make you see
    Oh what you mean to me
    Until I do I'm hoping you will know what I mean
    I love you
    I want you, I want you, I want you
    I think you know by now
    I'll get to you somehow
    Until I do I'm telling you so you'll understand"

    ♪ Michelle - The Beatles





    segunda-feira, 28 de março de 2011

    Registros necessários


    Começaram minhas provas e trabalhos aí pouco tenho parado pra escrever coisas minhas por aqui, mas continuo escrevendo. Há uns 2 meses comprei um caderninho pra fazer algumas anotações afim de me nortear nas minhas sessões de terapia, pois, às vezes, ou melhor, quase sempre a demanda é tão grande que eu sempre saio da análise consciente de que esqueci de falar muita coisa importante, por isso o caderninho me acompanha por aí. Acabo sempre anotando palavras-chave (?) sobre o que acaba acontecendo comigo ou insights que eu tenho durante a semana e tem me ajudado muito, pois a minha memória de curto prazo não anda bem não! rs Pois é. Então foi depois disso eu me dei conta que voltei a escrever de vez, que novamente virou uma necessidade só que - ultimamente - de maneira mais convencional de escrita: lápis e papel. Fiz umas reflexões sobre isso... pois me senti mais íntima com meu caderninho do que aqui no blog, flui mais os sentimentos de tal forma que às vezes a escrita não acompanha a velocidade do meu pensamento. Percebi  o 'distanciamento' que uma escrita minha tem no blog em relação a minha escrita no caderninho.  Acho que junto com a tecnologia perdemos o hábito de coisas simples e gostosas de se fazer, e isso é uma pena. Aqui no blog eu me permito escrever de uma forma mais clara porque, teoricamente, outras pessoas irão ler, portanto, é bacana que se quem leia possa entender! No entanto, é notório que há uma influência direta no conteúdo, há uma certa censura de até onde fica o limite de tornar público coisas minhas, por mais que ninguém venha a ler o registro irá permanecer... percebo também que aqui tudo é mais bonitinho, formatado, justificado, ilustrado. Óbvio, aqui a estética conta muito, a organização de idéias, o sentido do texto... Talvez se você tenha lido até aqui, tudo tenha soado como crítica. Talvez até seja, mas não estou abandonando o blog não. Achei apenas relevante o discernimento e a reflexão disso, porque vai ficar mais fácil ter essas duas válvulas de escape pra canalizar tanta coisa. Em contrapartida, fica o meu simples caderninho, de capa dura e arame rosinha onde tudo está  totalmente proporcional as minhas emoções,  sem limites com toda intensidade do momento, onde permite rastros de cheiro, de toque, de rabiscos, de borrões, de pingos de lágrimas, etc. Acho que ao longo dos anos nos disvinculamos de coisas tão simples e tão mais reais, pelo menos na minha opinião, por isso a sensação de superficialidade que sinto muitas vezes na internet. Mas vejo que escrever aqui tem uma importante função, a de me sentir 'ouvida', a de ter voz e de, ao mesmo tempo, ter essa 'escuta' de mim mesma, de ler e reler o que registrei aqui porque sei que - possivelmente  - alguém lerá. É uma questão de equilíbrio, de não se deixar perder, de não se perder.
    Boa semana, beijos
    Champagne Supernova - Oasis.

    segunda-feira, 21 de março de 2011

    Uma dose de 'loucura'.

    "- Gatinho de Cheshire (...) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
    - Isso depende muito de para onde quer ir - responder o Gato.
    - Para mim, acho que tanto faz... - disse a menina.
    - Nesse caso, qualquer caminho serve - afirmou o Gato.
    - ... contanto que eu chegue a algum lugar - completou Alice, para se explicar melhor.
    - Ah, mas com certeza você vai chegar, desde que caminhe bastante.
    - Mas eu não quero me meter com gente louca - ressaltou Alice.
    - Mas isso é impossível - disse o Gato. - Porque todo mundo é meio louco por aqui. Eu sou. Você também é.
    - Como pode saber se sou louca ou não? - disse a menina.
    - Mas só pode ser - explicou o Gato. - Ou não teria vindo parar aqui.
    Alice achou que isso não provava nada. No entento, continuou:
    - E como você sabe que é louco?
    - Para começo de conversa - disse o Gato - um cachorro não é louco. Concorda?
    - É, acho que sim - disse Alice.
    - Pois bem... - continuou o Gato. - Você sabe que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está feliz. Mas eu faço o contrário: eu rosno quando estou feliz e abano o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco.

    (Trecho de Alice no País das Maravilhas) 

    quarta-feira, 16 de março de 2011

    Doce antítese.

    "Sinto que espontâneamente tudo ao meu redor se modifica num leve soprar de movimento. Talvez se eu pudesse acrescentaria açúcar e adoçaria esse sopro amargo. Sim, amargo! 
    De repente, me movimento e lá se vem flores e sabores e... ôpa, o que eu tava dizendo mesmo? Sim, sem o amargo o doce não pode ser tão doce!
    Eis que surgem-me fantasmas e eis que eu os recebo de porta aberta - sim, eu aprendi a abrir a porta para eles- e quando menos espero: cadê-os? É assim que funciona, ou você permite a entrada ou eles nunca vão embora. 
    Insegurança. Ah, a insegurança... Maldita insegurança! Sabe o que eu acho? eu acho é pouco! Não me peça pra justificar isso, pois eu não suportaria dizer-te. Portanto, permaneça inerte. 
    Pensando bem as mudanças não são indesejáveis, elas são queridas, muito mais do que ficar a mercê da monotonia. Mas ainda sim, elas são sérias, enigmáticas. 
    O conhecido sabor da monotonia é algo que paralisa - 'Por favor uma xícara de café e duas torradas!' - O que me paralisa, me é confortável. Confortável até certo ponto, pois até o conforto me assemelha ao tédio. 
    Vejo que meio a tudo que me cerca sempre sobra um pouco de poesia na tentativa fracassada, na atitude não concretizada, no sonho invisível, no caos vigorando."

    domingo, 13 de março de 2011

    Dia treze ♥


    Sabia, gosto de você chegar assim. 
    arrancando páginas dentro de mim.
    Desde o primeiro dia.
    sabia, me apagando filmes geniais. 
    Rebobinando o século. 
    meus velhos carnavais. minha melancolia.
    Sabia que você ia trazer seus instrumentos.

    Invadir minha cabeça.
    onde um dia tocava uma orquestra...   
    Sabia que ia acontecer você, um dia.
    E claro que já não me valeria nada tudo o que eu sabia.


    [1 ano e 6 meses ]